Notícias

Artigos, Notícias e Reviews

Honda NSX – O Legado de Senna

Em 1948, Soichiro Honda montou um motor dois tempos de 50cc numa bicicleta e fundou a Honda Motor Co. Hoje a marca nipónica é o maior produtor mundial de motores e a sua engenharia estende-se a quase todos os modos da mobilidade humana. Desde aviões privados a cortadores de relva, Honda é sinónimo de fiabilidade e qualidade.

Quando apresentou o Honda NSX, em 1989, a Honda já era um nome de referência no Mundo Automóvel, fosse em competição, em duas e quatro rodas, fosse no contexto civil e comercial. No entanto, os engenheiros nipónicos decidiram provar ao Mundo que um superdesportivo não teria necessariamente de ser exigente e difícil de conduzir. O Honda NSX era melhor e mais rápido que qualquer rival alemão e italiano e tão fácil de conduzir como um Honda Civic.

Em Estugarda os engenheiros da Porsche engasgaram-se na ‘Bratwurst’ e em Modena os italianos cuspiram o ‘Lambrusco’, quando perceberam que o ‘New Sporstcar eXperimental’ (NSX) estava anos luz à frente de 911 e 348 em termos tecnológicos e dinâmicos. Gordon Murray ficou de tal forma impressionado com o NSX, que se inspirou nas suas qualidades dinâmicas para criar o McLaren F1.

Em 2017 é difícil ficarmos impressionados com as performances do NSX original, mas há quase 30 anos os 270cv chegavam para espezinhar o orgulho italiano e o pragmatismo alemão. É que os engenheiros japoneses souberam capitalizar na experiência ganha com a Formula 1 e gracejar a sua nova coqueluche com tudo o que havia de melhor em termos tecnológicos.

O monocoque em alumínio, assim como a maioria dos painéis de carroçaria, o chassis e o motor, conferem uma rigidez torcional referencial, mesmo pelos padrões actuais. Um tal de Ayrton Senna ajudou os responsáveis pelo projecto a aperfeiçoar ainda mais as características dinâmicas, e os seus vídeos a fazer ponta tacão no NSX em Suzuka, de sapatinho preto e meia branca, continuam a somar visualizações nas redes sociais.

É impossível falar de Hondas desportivos sem mencionar o famoso sistema Vtec patenteado pela Honda. No entanto, convém referir que este motor 3 litros de seis cilindros em V, não vive só de Vtec. Graças aos 280Nm de binário o motor tem bastante força em baixas rotações e sobe de regime com vigor a partir das 4000rpm. Às 6500rpm o sistema Vtec começa a entregar o seu característico uivo e impulso de força que não pára antes das 8000rpm.

A bordo nada indica que estamos aos comandos de um rival da Ferrari. O interior parece enfadonho pelos cânones actuais, mas a posição de condução é perfeita e de uma ergonomia pouco habitual num supercarro dos anos 90. Sentamo-nos em backets confortáveis e envolventes com a consola central e os comandos dos vidros e ventilação a descreverem um arco em torno do condutor com o simples, mas informativo, painel de instrumentos centrado atrás do volante. Os controlos estão bem planeados e tudo o que não é revestido a pele é feito daquele plástico inquebrável que só os japoneses conhecem.

A Honda não vendeu muitos NSX. Nos anos 90, tal como hoje é difícil convencer alguém a comprar um Honda em vez de um Porsche ou um Ferrari. Mas o objectivo não era lucrar, era mostrar o seu poderio tecnológico. O NSX de 1989, tal como o de 2017, é um verdadeiro ’tour de force’ de engenharia automóvel e obrigou a uma revolução no segmento dos supercarros. Com o NSX a Honda provou que um carro de sonho não precisa de ser um ‘pesadelo’.

Voltar ao Início