Notícias

Artigos, Notícias e Reviews

Como podemos descrever a Felicidade?

À medida que o tempo vai passando, é cada vez mais dificil mantermo-nos felizes por longos periodos de tempo, a felicidade transforma-se em vários momentos fugazes, intercalados pelos problemas do quotidiano.

A premissa foi uma proposta irrecusável vinda de um Amigo.
Um passeio e “photoshoot”, com uma nuance bastante apelativa para qualquer “petrolhead”, o previlégio de guiar uma seleção de automóveis clássicos da Konzept Heritage, automóveis esses que são o sonho inatingível de muitos.
Sendo a gastronomia uma parte bastante importante da minha vida, apressei-me a marcar almoço para todos no Restaurante Garden’s. Este almoço trazia “água no bico”, pois o Duarte fazia anos e aproveitei para criar um almoço surpresa, o Duarte Fraga é o fundador e timoneiro da Konzept Automobile, e da embrionária Konzept Heritage, sendo ele um “workaholic” puro, este almoço seria o momento ideal para relaxar um pouco e divertir-se com amigos.

As “dream machines” escolhidas para o “evento” foram, um Ford Escort RS Cosworth “Cossie” de 1993, um Lancia Fluvia Sport Zagato 1.3S de 1971, um Porsche 911 993 Carrera de 1994, um Mercedes Benz 280 SE Coupe de 1969, um bellissímo BMW M3 E30 de 1986 e um mítico Porsche 356 SC.

Saimos da Konzept Automobile neste grupo bastante eclético de “lendas” do mundo automóvel a caminho do Clube de Golf do Paço do Lumiar, onde se encontra o Restaurante.

Viajar neste tipo de carros é algo que desafia completamente os sentidos e que nos faz sentir transportados para outras eras, em que os automóveis não possuiam as ajudas electrónica de agora, nem eram desenhados em computador e testados até à exaustão. Uma mais-valia destes automóveis era a capacidade de se poder criar uma relação de simbiose entre condutor e carro. Essa simbiose é uma das principais razões pelas quais os classicos são tão apreciados, certos defeitos que tinham, “obrigavam” os condutores a adaptarem-se a eles, e com a prática aprenderem a tirar partido desses “defeitos”, tornando-os em adjectivos como carácter e personalidade.

Existe uma grande dose de prazer no momento em que chegamos a um estacionamento amplo e todos os “bólides” são arrumados em espinha, lado a lado. Desafio qualquer um, mesmo que não seja fã incondicional do mundo automóvel, a não olha para trás e apreciar a vista, especialmente num espaço idílico como o Golf do Paço do Lumiar.

Já com o “estômago colado às costas”, apressamo-nos a entrar no Garden’s.
Garden’s, esse que está sob a alçada de Rafael Afonso, (já com provas dadas no restaurante Jockey), localizado no Hipódromo do Campo Grande, outro espaço que aconselho vivamente a qualquer aficionado da gastronomia Portuguesa. Com uma vista panorâmica sobre o campo de Golf e um dos seus lagos, e tendo um parque de estacionamento generoso, torna-se um dos espaços mais apelativos na zona de Lisboa para se ter uma bela refeição numa zona tranquila.

 

 

Fomos recebidos num ambiente moderno, acolhedor e requintado, mas ao mesmo tempo despretensioso.
A comida estava irrepreensível, começando pelas inevitáveis entradas que rapidamente desapareceram, (afinal conduzir clássicos dispende muita energia), passando depois para um delicioso bacalhau fresco braseado em cama de grelos e continuando para uns lombinhos de porco preto com três pimentas e molho de café, acabando num “pot-pourri”, das várias sobremesas disponíves na casa, o Duarte até teve direito a um mini bolo de aniversário! Excusado será dizer que todos ficaram bastante satisfeitos.

 

 

Como nota pessoal, pondo de parte a qualidade da comida, que em restaurantes deste gabarito não se espera menos que ingredientes frescos e de qualidade, uma das caracteristicas que mais valorizo é a capacidade do “staff” saber “ler” a clientela, e adaptarem-se ás situações duma forma fluida e natural. Saber a diferença entre um almoço de negócios, uma reunião de família ou um encontro de amigos pode ter um papel preponderante na fidelização da clientela. Neste campo o pessoal do Garden’s, (e do Jockey), sao especialistas.
Além da parte de restauração, o Garden’s também tem uma zona de bar onde se pode beber um Gin, um cocktail, etc….perfeito para relaxar, apreciando a vista, depois de um dia stressante, ou depois de dar umas tacadas.

Já de barriga cheia procedemos à parte da “photoshoot”, com apoio do Clube de Golf do Paço Lumiar, que gentilmente nos deixou utilizar parte do seu relvado.
Ainda com um Sol radiante de fim de tarde, o talentoso Daniel Golban fez o que melhor sabe fazer e imortalizou o momento.

 

Na viagem de volta, parado no semáforo do Campo Pequeno, olho à minha volta e vejo aquelas máquinas de outros tempos, a ser guiadas por homens de “barba rija”, com sorrisos parvos de pura felicidade, a apreciarem apenas o momento e a tal simbiose Homem, máquina. E enquanto tentava não me esquecer que o M3 E30 tem uma caixa de velocidades “Dogleg”, voltei a refletir sobre o que realmente é a tal Felicidade, e pondo de parte todas as teorias, só por experiència própria posso dizer com um grau elevado de certeza, que para mim ou qualquer entusiasta do mundo automóvel, especialmente de clássicos, um dia assim, repleto de emoções fortes, amigos e “good vibes”, não andará muito longe da definição da mesma.

A tal “felicidade” e a idade cronológica, estão interligadas, e vendo o meu Duarte passar a barreira dos 40, (barreira que eu já passei), o que me vem à cabeça é que realmente no meio é que está a virtude. Podemos disfrutar de tudo na vida, desde que não entremos em grandes abusos.
E neste tom, prometi a mim mesmo arranjar um classico, recomeçar a jogar golf e voltar ao Garden’s brevemente.

E como mencionou outro grande Amigo meu:

“Growing old is mandatory, growing up is optional”.

Que dar os meus sinceros agradecimentos ao Clube de golf do Paço do Lumiar, ao Rafael Afonso e toda a equipa do Garden’s, à Konzept Automobile e Konzept Heritage, especialmente ao seu jovem fotógrafo Daniel Golban, e “last but not least”, ao Aniversariante, e meu grande Amigo Duarte Fraga.

Texto por Pedro Salgueiro

Voltar ao inicio