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Rayton Fissore Magnum

À Frente do tempo, atrás da História

Ao fitar o espelho retrovisor apercebe-se de um Fiat Uno a aproximar-se na sua retaguarda! No entanto algo não bate certo, a largura das vias e a envergadura rivalizam com um Hummer.

Erro comum e desculpável. É que o Rayton Fissore Magnum 4×4 VIP, (já pode respirar), apesar de ‘sui generis’, partilhava muitos componentes com modelos do grupo FIAT.

Em 1985 a casa de design Fissore teve uma ideia genial. Uma ideia que se tornaria a galinha dos ovos de ouro de muitos constructores automóvel – um jipe elegante e luxoso. A verdade é que nos anos 80 um veículo todo-o-terreno era ainda era uma ferramenta de trabalho e a única marca que injectou um pouco de conforto nos seus todo-o-terreno dava pelo nome de Land Rover.

A Fissore pegou no chassis base do Iveco VM 90, um veículo militar robusto e versátil, que fez carreira nas forças de segurança de vários países europeus, (incluíndo a Guarda Nacional Republicana), vestiu-o com uma carroçaria de linhas vanguardistas, pelos canônes de 1980, e criou aquele que é hoje considerado o Pai do SUV de luxo.

No coração desta versão ‘VIP’ estava o lendário ‘V6 Busso’ da Alfa Romeo, com 2.5 litros e 160 cavalos. Motor esse que associado a um automóvel de duas toneladas e meia perde algum do seu carisma, mas que há 30 anos chegava e sobrava para um automóvel que tinha como objectivo, não tanto a performance e velocidade, mas sobretudo o conforto dos ‘VIP’ que viajavam a bordo.

E quem viajava a bordo deste colosso italiano não tinha razões de queixa, é que a ‘sala de estar’ do Rayton Fissore Magnum VIP, estava equipada com o que de melhor havia na época. Os sumptuosos bancos são forrados a pele, o tejadilho e pilares em camurça e a suspensão devora buracos e lombas como se de quebradiças folhas outonais se tratassem!
Viajamos com a sensação ‘magnânime’ de que o restante Mundo está bem lá em baixo, pequenino e frágil.

O único senão é o manuseamento da caixa, é preciso um bícepe com alguma ‘músculo’ para passear o selector de mudança em mudança, ou não fosse este um carro para ‘Homens de barba Rija!’

Inevitávelmente o Rayton Fissore acabou por cair no esquecimento…….
Percebe-se porquê, era claramente um conceito à frente do seu tempo e com pretenciosismos que não eram justificáveis. Mas fica para história por ter sido pioneira num conceito que o Cayenne, o X5, o ML, o Q7 e outros ainda mais ostenciosos popularizaram anos mais tarde.
Será sempre lembrado por ser o antecessor e concerteza um belo “troféu”, para quem possúa um nos dias de hoje.

The King is dead, long live the King

Texto por Gonçalo Bispo
Fotografia por Daniel Golban

 

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